Preparados para momentos de puro pavor? Parece que descobriram uma
maneira de fazer os mortos (pelo menos os peixes e as rãs) voltarem à
vida.
Confira o vídeo “apavorante” abaixo:
Tem um outro vídeo que se vale do mesmo princípio físico-químico, eu achei nesse link:
Acalmem-se, tem uma explicação para essa “volta dos mortos-vivos” e está na continuação do post.
Não tem nada de misterioso nos vídeos acima, é tudo perfeitamente explicável pela ciência.
Esse fenômeno já é conhecido desde 1791, quando o Sr. Luigi
Galvani estava estudando a fisiologia e a anatomia das pernas de rã.
(Ele queria provar que os testículos das rãs ficavam nas pernas.)
Ele seccionava algumas pernas de rã com um bisturi
metálico, ao mesmo tempo que realizava experimentos com eletricidade
estática. O bisturi ficou eletricamente carregado e, quando ele tocou um
músculo exposto da perna de uma rã, a eletricidade estática contida no
bisturi fez com que a perna se movesse.
Maiores investigações e ele chegou a algumas conclusões que
permitiram a ele criar uma teoria em cima desse fenômeno, batizado de
bioletricidade ou eletricidade animal.
Mais tarde foi cunhado o termo galvanismo. Atualmente, na
biologia, esse tipo de fenômeno é estudados na área de eletrofisiologia.
E o que faz com que a eletricidade do bisturi de Galvani
provocasse o movimento dos músculos da perna de rã e que fez com que os
peixes do vídeo lá de cima se movam?
A água contida nos fluidos corporais das pobres rãs contém
sais, e esses sais são compostos por íons. (No caso dos peixes, vocês
podem ver que tem limão e sal à volta deles, provavelmente o autor do
vídeo salpicou nos peixinhos. Além de eles estarem deitados em uma
“cama” de folhas de alumínio.)
Os íons são partículas carregadas eletricamente (partículas
com excesso ou falta de elétrons). No caso do sal, basta ele entrar em
contato com a água para se formarem íons. No caso do limão, uma parte do
ácido cítrico (contido no sumo do limão) está dissociada na forma de
íons H+ e citrato.
Os íons contidos nos sais ou nos ácidos podem aproximar-se
de um metal e trocar elétrons com ele. Nesse processo de troca de
elétrons, os íons se movem de um lado para outro e conduzem corrente
elétrica.
Em outras palavras, o que acontece ao encostar o metal em
uma solução salina ou ácida é que passa a acontecer transporte de
elétrons do metal para os íons positivos e vice-versa (dos íons
negativos para o metal), fazendo com que surja a nossa tão conhecida
corrente elétrica.
O fato é que os músculos funcionam à base de correntes
elétricas. Duvidam? Então vocês lembram de alguma vez em que bateram com
o cotovelo em uma quina de mesa? Não deu um baita choque em vocês? Isso
sem falar na dor, no braço voando longe e no susto, não é?
E tem aqueles aparelhos que se usam em sessões de
fisioterapia nos quais o profissional coloca uns fiozinhos em pontos
específicos da pessoa e, “do nada”, os músculos começam a se mover. Pois bem, aí está uma excelente prova de que os músculos reagem a estímulos elétricos.
Nossas fibras musculares e a dos sapos e peixes funcionam
de maneira similar, graças a duas proteínas fibrosas, a actina e a
miosina.
A actina tem quatro principais funções nas células:
- Formar microfilamento que dão suporte mecânico às células e prover suporte à trasmissão de sinais elétricos aos arredores.
- Permitir mobilidade celular.
- Em células musculares, ser uma espécie de esqueleto para a miosina, a qual gera força para suportar a contração muscular.
- Eis uma representação em fita da actina.
Já
a miosina é uma proteína que contém duas cadeias moleculares, contendo
cerca de 2000 aminoácidos, constituída por uma “cauda” e uma “cabeça”. A
cauda e a cabeça estão enroladas como duas serpentes entrelaçadas entre
si. As “cabeças” ligam-se à actina, dando sustentação à ela.
Em
cada “cabeça”, a miosina contem duas outras cadeias, chamadas de
“leves”. Essas cadeias “leves” têm a função de manter o “pescoço” da
miosina unido.
E,
finalmente, a “cauda” da miosina é que tem a função que nos interessa. É
a “cauda” que media as interações com os íons descritos anteriormente
nesse texto. A cauda é, em resumo, a parte responsável pela atividade
motora dos músculos.
Essa proteína, em conjunto com a actina, forma as fibras musculares, ou sarcômeros na linguagem especializada.
A “cabeça” da miosina produz a
força que permite ao resto do filamento (“cauda”) se mover ao longo dos
filamentos de actina laterais em resposta a estímulos eletroquímicos.
E como essas duas proteínas complicadas conseguem reagir a
estímulos elétricos? Pesquisei um pouco no youtube e encontrei uma vídeo
bem elucidativo.
Agora você já sabe, o que acabamos de descrever aqui é um fenômeno natural, não tem nada de volta ao mundo dos vivos. As pernas de rã e os peixes só estão esticando um pouco as pernas (trocadilho infame) por causa dos sais que os autores dos vídeos salpicaram nelas e ativaram a actina e a miosina ainda não degradadas presentes nas fibras musculares.










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